PROSAICA


Tal como ia o menino, vai a reflexão aí abaixo!
A ele, faltava-lhe um dos braços;
a ela, falta-lhe todo e qualquer laivo de poesia!

 

Ao chegar não houvera câmeras, mas em seu retorno a casa, milhares foram os espectadores. E estive entre os que viram o menino encaminhar-se para o avião. Sacudia-lhe o vento uma das mangas da camisa, que carecia do braço…

Tal como ia o menino, vai a reflexão aí abaixo! A ele, faltava-lhe um dos braços; a ela, falta-lhe todo e qualquer laivo de poesia!

Abolidos todos os limites, tanto na rua quanto em casa e na escola ? é o que se defende desde a França de 1968, ou talvez antes –, dissolveram-se todos os valores. E, com estes, ab-rogados os limites, a tendência é de que pais, filhos e tigres, de par com outras espécimes, perigosamente se confundam no limiar do grande zoo em que se tornou a pólis.

Mas não coube ao tigre a escolha pela promiscuidade, dado que sequer suspeita que toda escolha tem seu preço. Porém, não quero julgar ? nem pai, nem filho, nem… O tigre? De que valeria julgá-lo, alheio que é, em sua animal privacidade, a qualquer juízo?

O menino, porém ? talvez por saber que foi sua a escolha de transformar em limiar a grade e a distância que marcavam o limite a separá-lo do tigre ?, demonstrou consciência plena, ao pedir que o não matassem! Em sua infantil intuição, é possível que suspeite serem os tigres, além de outros animais, contingência da democracia, digo, do zoológico.

Estou a referir-me a algo que só ocorreu no Paraná? Ou estaria falando de Brasília? Ou do Brasil? Pois são insistentes as manifestações de que estamos todos descontentes com a classe política, por obliterar ela, com exagerada frequência, o limite entre a corrupção e sua efetiva função.

Resistimos, porém, em aceitar que essa classe é o espelho daquilo que somos como sociedade, pois isso fere nosso comodismo. E a leniência nos leva a rejeitar a responsabilidade de termos nós abolido os limites: na rua, em casa, na escola… E no voto.

Confesso, por isso, que não sei bem do que falo. Levado pela inveja que tenho do burguesão Brás Cubas, tento às vezes, embora sem sucesso, imitá-lo em seus devaneios, disparates e delírios.

Não. Não me refiro a um fato, mas a seu plural e emblemático sentido, porque, em ano de eleições, é necessário saber eleger, isto é, escolher alguém que, almejando ocupar a jaula, não gere os traumas que depois produzem as inúteis raivas esbanjadas ? no jornal ou na internet. Meros discursos raramente remendam escolhas malfeitas. E mais raramente são capazes de inibir os animais que, soltos, ameaçam a sociedade. Por escolha dela, pois dela faz parte o eleitor sem critério que elege o político corrupto, assim como o adicto que alimenta o traficante.

Cabe aos conscientes, pais, filhos e outros, a tentativa de reinventar os limites: na família, na escola, no zoológico.

Mas isso requer a reinvenção de valores, pois são eles que orientam as escolhas em geral…

Poderiam também orientar as eleições.

 

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1 comentário para "PROSAICA"

  • E diriam os devoradores de manchetes: Cada povo tem o “tigre” que merece…

    evreis

    em 13 de agosto de 2014

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